por Silvio Schramm
Exemplos devem persistir e ultrapassar o limite da distância. São eles os recados da passagem de Cristo e é nas pessoas onde a face e o amor desse ser superior se revela. E Ernesto Schramm foi uma delas. Sua passagem será marcada pelos passos da bondade, da amizade, da coragem dos que enxergam no próximo, no pequeno e maltrapilho, a esperança.
Nasceu em 14/04/1936. Fez o primário na escola João Pessoa, na Margem Esquerda. Entrou em 1948 para o seminário de Rodeio, Rio Negro e Agudos, deixando em 1955. Voltando para casa logo em seguida serviu ao Exercito. Ao dar baixa, começou a trabalhar no Banco Econômico de Blumenau e devido à dificuldade de locomoção conseguiu emprego e hospedagem no Colégio Santo Antônio. Desde cedo despertou o espírito de solidariedade ao próximo.
Foi apaixonado por futebol, sendo sócio do Olímpico conquistando a amizade dos jogadores. Quando o time ganhava, oferecia uma feijoada. Assim recepcionava os engraxates e jornaleiros. Plantou amizade e colheu. Na mesma medida não se esquecia da família e todo natal trazia presentes para os familiares e principalmente para os pais.
Este sentimento solidário continuou vivo ao se envolver na política. Esta política ideológica da burguesia contra a pobreza. Filio-se nos grupos dos Onze de Leonel Brizola, tornando-se um militante ativo. Depois do golpe militar, correu risco de ser preso e um belo dia sumiu do mapa. Ficando sem dar noticias cerca de sete anos. Quando recebi um telefonema de um amigo de Curitiba, de que o havia encontrado imediatamente viajei e o encontrei. Conversamos bastante e consegui convece-lo a retornar.
Chegando ao lar a mãe o acolheu derramando muitas lágrimas. Papai já havia falecido. Ficou três anos totalmente isolado na casa da mãe. Com a ajuda dos amigos resolveu encontrar emprego. Reencontrou-se com a ex-namorada, casaram-se e tiveram uma filha. Ao aposentar-se, a vontade de servir despertou, trabalhando em diversas pastorais (Ministro da Eucaristia; Ministro do Batismo; Ministro do Matrimônio; Ministro das Indulgências; Palestrante do curso de batismo, pais e padrinhos; Secretário da Conferência Vicentina; Animador da Pastoral da Criança; Comentarista do programa encontro com as comunidades, Rádio Sentinela do Vale) demonstrando ser o verdadeiro cristão conforme o Evangelho: “Ide e ensinai”. Foi respeitado e admirado por todos que o conheceram. Especialmente os marginalizados.
Na Conferência Vicentina de Gaspar, onde atuava, suas últimas atividades foram para adequar a entidade para continuidade de seus serviços. Ser voluntário foi sua grande realização pessoal. Teve coragem, ternura, lutou bravamente até o último segundo. Não usou uma batina em vida, mais seu coração tinha o traço e bondade de Francisco de Assis. Suas palavras e sua voz marcante nunca serão apagadas e esquecidas por aqueles que foram tocados de alguma maneira por seu carinho e por sua amizade, a todos chamava de irmão ao receber e ao dizer adeus. De tudo sentiremos falta, mais agradecemos por seu exemplo, ele é a lembrança e prova da existência de um criador superior, capaz de criar um anjo humano para servir na terra.
Sobre o autor: Silvio Schramm tem 89 anos, foi anos diretor do hospital de Gaspar.
meus cumprimentos pela composiçã.