Eu acredito no impossível e você?

Existe um momento no clássico filme, Milagre na rua 34 (1947), onde o verdadeiro papai Noel é levado a julgamento e a população é chamada a responder a seguinte pergunta: “Eu acredito em papai Noel e você?”. Jogada comercial de cunho emocional brilhante  nascida da estratégia de uma cadeia de lojas.

Da tela para a vida real quando somos questionados nesse aspecto, é a oportunidade de descer do mundo pré-projetado, onde tudo se encontra pronto e retornar ao caminho singelo do sonho. Ao ser confrontado enquanto gravava um depoimento para o documentário do ex-morador de rua e ator Marcelo Brasil, fui remetido a conhecer sua história de luta para sobreviver como artista longe dos benefícios de outras categorias. Há cinco anos vive de sua arte, vendendo um de seus trabalhos nas ruas e centros comerciais e se apresentando em escolas da região.

É pai de quatro filhos e tem o apoio de sua esposa seu braço direito e aos 32 anos ao perceber o fechamento de portas teve a coragem de investir e acreditar apenas no sonho. Talvez seja a última porta a ser aberta para esse corajoso jovem e que podem mudar o percurso de sua vida. Como todo sonho tem um preço, privações fazem parte. A utilização de tecidos para higiene pessoal durante um ano e ter apenas na casa alugada uma lâmpada e comer uma refeição por dia, foram alternativas para se aproximar do objetivo.

Podem parecer situações drásticas, mas o que se faz quando a areia escorre pela ampulheta e tudo o que você acredita ter feito não é o bastante? A grande maioria desiste e aceita sua realidade pré-estabelecida, outros persistem. E de onde é que nasce a poesia? A força e a convicção são elementos desse enredo. Como sobreviver a mais de mil nãos ditos? Como sobreviver sendo considerado pedinte e não um artista realizando o seu trabalho?

Desse e outros elementos nasce o documentário (O impossível) e se finaliza com a pergunta se uma pessoa com a biografia e nessas condições poderia sonhar em estudar na maior escola de cinema do mundo (Nyfa/EUA), feita a céticos e artistas. A resposta como a da maioria foi a mais perto da realidade, do pré-projetado, que não. Seria como dizer não acredito em papai Noel no filme e deixar de ver que o importante não é a realidade verídica do fato, mas o quanto pode significar para uma sociedade cética de seus valores e de seus sonhos, sua existência. A grande lição não será conseguir chegar lá, é deixar no caminho, que o impossível somente existe para quem não tenta e esse é o verdadeiro significado do sonho e de tudo que essa história significa. 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s