Editoriais intencionais

Capa o Globo

A imprensa de um país que se especializa apenas em denúncias, se permite contaminar pela não apuração dos fatos e principalmente a agir com motivações políticas e disposta intencionalmente a cometer novos erros.

Organizações Globo a luz da história não aprendeu nada com sua própria história. Com as manifestações de rua em junho de 2013 o jornal o Globo em nome da organização assumiu o apoio editorial ao golpe de 1964, classificando como um erro. Esse erro, resultou em 21 anos de um regime de repreensão, onde os direitos democráticos, inclusive da própria imprensa foram cerceados. Resultou na morte de inúmeros brasileiros contrários ao retrocesso de não poder divergir de seus ditos governantes: perseguição, tortura, assassinato a qualquer um que levanta-se uma bandeira diferente da linha ideológica no poder.

Prestes a completar 52 anos no próximo dia 31 de março, o golpe militar e seus resquícios ainda vivem no país. Resistem ao tempo. Fruto de uma sociedade incapaz de contar e educar seu povo, a repudiar qualquer motivação de estado de exceção. Com a chegada do primeiro partido de esquerda ao poder, Partido dos Trabalhadores em 2002 através do sistema de eleição vigente e não de outra forma, passou-se a criar e apoiar uma agenda por parte de grandes veículos da imprensa nacional, não com critérios jornalísticos, mas com formatos dignos de 1964.

A imprensa de um país que se especializa apenas em denúncias, se permite contaminar pela não apuração dos fatos e principalmente a agir com motivações políticas e disposta intencionalmente a cometer novos erros. Na eleição de 2010, o jornal Estadão em editorial sai em apoio ao candidato José Serra (PSDB). O veículo nesse exato momento, renega sua imparcialidade, um dos dogmas da comunicação e passa a agir como uma cartilha partidária. Em recente editorial, em plena crise econômica e principalmente política, o jornal aponta a força do PMDB e PSDB que unidos poderiam dar passos concretos e eficazes para tirar o Brasil da crise. Repete 1964, ao formar um concesso em torno de partidos e não de abranger uma análise que leve o leitor, cidadão, a formatar sua própria opinião.

Nos últimos atos de manifestação, 13 de março e 18 , colocam novamente o jornal o Globo de frente com sua história. Nas duas capas, a leitura que se faz é tendenciosa. O ato de manifestação de 13 de março e contrário ao governo da presidente Dilma Rousseff e a favor do impeachment. O ato de 18 de março é a favor ao governo de Dimal Rousseff e contra ao impeachment. São duas correntes divergentes, dentro de um país democrático que permite ruas serem palcos de contradições, como deve ser na democracia. Se repete 1964 quando o jornal distorce a conotação das manifestações. O Globo, ligado a Organizações Globo, manifesta de forma explícita o seu descompromisso com a informação imparcial a favor de utilizar sua influência para fins de manipular a opinião pública. Em síntese os dois eventos, manifestações, são frutos da democracia, ambos possuem conotações políticas. Qual a intenção se não pretensiosa de dizer que um sai pelo Brasil e o outro não?

Em pleno 2016, os mesmos mecanismos de 1964 estão vivos. Independente das motivações, não cabe a imprensa séria, madura, analítica, sair em defesa de partidos. Essas defesas são individuais. O papel da imprensa é de análise, apuração, informar a sociedade com isenção e permitindo a ela, a construção de sua opinião. Perante ao que vemos não podemos afirmar esse compromisso. O erro de apoiar a ditadura militar feito em editorial pelo o Globo, representando a organização de qual faz parte, foi grave e fruto da mesma falta de critérios utilizados atualmente dentro das redações de seus meios de comunicação. É um erro que passados anos, admitiu, mas que ainda comete intencionalmente. Foi um erro tão grave que 434 mortos e desaparecidos políticos, na maioria jovens, não foram encontrados até hoje.

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